Estes pimpões...

...e estas Pimponas...

...tiveram a honrosa ousadia de se constituirem mordomos e mordomas para, com a harmonia que os caracteriza, porem em pé o projecto de mais uma festa da aldeia, de novo em Agosto, mesmo que em honra do sempre nosso padroeiro S. Pedro, tendo em conta, e bem (isso viu-se e sentiu-se), que poderia juntar-se muito mais gente da terra do que em Junho. Pode dizer-se. portanto, que foi aposta definitivamente ganha.
Do arrojado programa de quatro dias (ontem houve uma procissão de velas) estava previsto, para o dia de hoje, juntar a malta no recreio da escola para, a expensas do ano passado, e de novo sob a muito afinada batuta do casal Augusto e Edite (sempre eles a animar estas coisas!), se levar a cabo mais uma tarde de jogos populares. E as expectativas, mesmo com o nosso padroeiro a ameaçar com uma chuvada, não sairam goradas. Toda a gente, desde os mais novos aos menos novos, se envolveu, participando em quase todos os eventos.
O tiro de partida foi dado pela pequenada que, não se fazendo rogada, lá enfiou as pernas nos sacos para dar uma coorida e pôr o pessoal a rir com os tombos que iam jogando. Portaram-se, contudo, muito melhor que os adultos. Destes, nenhum se livrou de uma queda e das gargalhadas de quem os apreciava na sua prova.

De facto, os mais velhos estavam à espera da sua vez na prova de fite. Aqui sim, tiveram que mostrar a sua habilidade, uns com mais outros com menos argumentos, mas, afinal, com um comportamentop meritório por parte de todos os concorrentes.
Eis um aspecto do jogo do fite, sempre com o nosso heróico monumento, o nosso Castelo, vigiando lá do cimo da serra.

E, enquanto se lançavam as últimas malhas do fite, sem perder tempo, os homens da aparelhagem sonora que iria dar-nos música mais tarde, já tinham subido até ao campanário da nossa bela Igreja, não para tocar o sino mas, como se pode ver, para instalar os altifalantes que haveriam de trazer mais gente ainda.

Mas o melhor, claro, fica para amanhã. Cá estarei para vos dar conta do sucedido.
Já é vulgar ouvirem-me dizer que pouco ou nada me surpreende. Se todos os dias vão acontecendo as coisas mais inverosímeis por que razão havemos de nos sentir surpreendidos quando ficamos perante uma qualquer ocorrência, por mais insólita ou mesmo extravagante que seja ou nos pareça? E se navegarmos habitualmente pelo espaço virtual que a internet nos proporciona, parece-me que ficamos ainda com menos probabilidade de nos sentirmos surpreendidos.
Todavia, como não há regra sem excepção, e ainda bem, devo adiantar que sempre me dá algum gozo que, circunstancialmente, me aconteça ficar feliz com alguma surpresa. E se ela vem da nossa terra, como isso me pode tocar muito fundo, creiam que o meu contentamento será muito maior.
Pois bem, ontem mesmo, em casa dos meus progenitores, tive a felicidade de aceder a um pequeno caderno de quinze páginas onde o Feliz, esse mesmo que o Ti Virgílio e a Tia Cármen criaram, conjuntamente com a Cilinha, o Tavinho e o Toninho, discorre, em poesia, sobre as suas memórias.
E eu não podia deixar de, por um lado, fazer aqui uma homenagem ao Feliz, o poeta de Águas Frias que desconhecíamos, e, por outro, dar a conhecer algumas das quadras com que, de forma sublime, brinda a terra que o viu nascer.
Capa do opúsculo
Respigo agora algumas das quadras que o Feliz dedica à sua/nossa terra:
Eu nasci em Trás-os Montes
Nisso tenho satisfação
Escolhi novos horizontes
E fui para outra Nação.
Cá de longe te recordo
E de ti tenho Saudade
Ao lembrar-me de ti choro
Podes crê-lo com verdade.
Não consigo esquecer
Aquele povo serrano
Orgulho tenho em dizer
De que sou um transmontano.
Quem esta terra visitar
Jamais a poderá esquecer
E sem de novo lá voltar
Em paz não pode morrer.
Foi nesta risonha aldeia
Que a este mundo cheguei
tu nunca me sais da ideia
E um dia a ti voltarei.
Águas Frias és um amor
E muito amor tens para dar
Ao te deixar senti dor
E peço a Deus por favor
Que me faça a ti voltar.
O teu famoso castelo
Te guarda ao cimo do monte
Ele é tão lindo e tão belo
Quando a gente se põe a vê-lo
Quer de perto quer de longe.
Por todos és conhecido
como Castelo de Monforte
Águas Frias Tem-te por abrigo
Desde sempre até à morte.
Dizem que pertencias
À Vila de Rio Livre
Mas agora és de Águas Frias
Pois disso ninguém duvide.
Quem ao teu cimo subir
Jamais te poderá esquecer
Ao descer vem a sorrir
De tanta beleza ver.
Se alguém se pode considerar um sortudo nestas andanças virtuais eu serei um deles. Com efeito, numa situação em que gostaria de estar na aldeia para guardar para a posteridade mais um nevão que a cobriu dessa alvura que turva a vista, mais uma vez, um amigo da terra (o Humberto, de novo), quis brindar-me com os retratos que, ele e o Luís Vaz andaram a fazer lá pelo Castelo e arredores.
Sem grandes comentários, deixo-vos com as fotos do Humberto e, já agora, com um recado para aqueles que pensam que na serra da Estrela é que se vê esta alvura: aqui para os lados de Trás-os-Montes também há presipitação sob a forma de neve, e podem crer que também se pode fazer turismo de inverno, porventura de melhor quallidade do que aquele a que estão eventualmente habituados. Arrisquem. Venham até cá. Vão ser, certamente, muito bem recebidos.
Deliciem-se, então, com essa paisagem megnífica com que a Natureza nos brindou.
Aqui é o Castelo e a envolvente Sul.
Caminho da Bolideira
Ainda o caminho da Bolideira (NE do Castelo)
Já perto das Devesas, o carvalhal que o Guilhermino plantou há uns anos.
De novo o Castelo, na vertente NE
Finalmente, o Luís Vaz, que foi o guia do Humberto.
Um abraço aos dois pelo magnífico trabalho que fizeram e por terem proporcionado esta forma de os nossos conterrâneos que estão longe (e os que não o sendo se atrevem a perder o seu tempo passando por aqui) relembrarem os invernos que por cá passaram.
Tempos houve em que qualquer inverno trazia à paisagem transmontana em geral e à de Águas Frias, em particular, a alvura que a neve transporta.
O mundo pula e avança, como dizia o poeta, só que, ultimamente, os pulos têm sido de tal ordem que os avanços se cifram em verdadeiros recuos. De facto, com as agressões que, sistematicamente, vamos fazendo ao ambiente, o clima tem sofrido transformações de tal ordem que vão colocando emperigo real a vida do e no Planeta.
É justamente por isso que os resistentes que ainda se vão mantendo pelas nossas aldeias já nem sequer se atrevem a manter determinadas culturas. A neve que outrora cobria os campos e a própria aldeia não só inebriava a garotada como era o fermento que todos os anos se esperava. Como o povo gostava de dizer, ela matava a bicharada, exactamente aquela que dava cabo das culturas, mas também era o alimento para os nascentes que, no verão, se tornavam indispensáveis, quer para encher os poços com que se regava quer mesmo para ter acesso à água pura com que as pessoas se dessedentavam.
Bom, mas mesmo assim, sempre vai havendo um ano ou outro em que o tempo, embora em quantidade incomparavelmente menor, nos brinda com uma nevadazita. Como a que aconteceu há dois ou três anos - não consigo, de momento precisar - e que deu este belo aspecto ao nosso belo Castelo de Monforte de Rio Livre.
É costuma dizer-se na aldeia que, quando alguém avista um lobo se lhe põem os cabelos em pé. A verdade é que a mim, se algum dia aconteceu (e vi alguns), não me lembro. Agora que se me põem os cabelos em pé, não por ver lobos ou quejandos, mas, outrossim, quando constato situações que não gostaria que acontecessem, ai isso sim!
E ainda há dias me aconteceu. À conversa com um colega, numa daquelas horas em que nos obrigam a esperar que ninguém se lembre de faltar, lembrava-me ele um artigo que em 2001 havia enviado para publicação no JN, exactamente sobre um acontecimento de má memória que ocorrera nessa época em Valpaços e que até mereceu honras de televisão. Reiterou que o fez por não ter encontrado, no imediato, forma mais eficaz para manifestar toda a sua indignação. E fê-lo muitíssimo bem, sobretudo tendo em conta que o assunto, dizendo respeito a qualquer cidadão interessado pela cultura, tinha a ver, sobretudo, com os valpacenses.
Mas, dirão os meus amigos Aquifrigidenses, que teremos nós a ver directamente com essa coisas que se passam aí por Valpaços, para as trazeres a este espaço onde, afinal, pretendes abordar questões da aldeia?
De facto, a minha indignação, mais tardia por desconhecer alguns pormenores que só mais tarde pude conhecer, foi e ainda é, muito maior que a do meu colega. Porquê?
Então aí vai, resumidamente, a história: numa casa em ruinas - a da fotografia - situada mesmo no centro de Valpaços, alguém descobriu, inadvertidamente, um monte de "papelada", alguma já em muito mau estado devido às intempéries a que já tinha estado submetida não se sabe muito bem durante quanto tempo. A descoberta terá sido confiada a alguém que, eventualmente, poderia interessar-se pelo assunto. Dirigindo-se ao local constatou que se tratava de documentação que faria parte do arquivo municipal. Instado a pronunciar-se sobre o assunto, o então vereador da cultura, terá justificado a deposição daqueles documentos nesse local por fazerem parte do arquivo morto da Câmara, sendo que aí se encontravam somente licenças para cães, o que, no seu entender, não teria qualquer valor. Depressa chegou ao conhecimento de um jornal de Chaves que, acto contínuo, publicou a notícia dando-lhe o merecido relevo e sublinhando que haveria documentação de muitíssimo interesse que não tinha nada a ver com as ditas licenças dos caninos, o que motivou a vinda da televisão e mesmo um emissário do IPPAR que, em primeira instância, obrigou a remover todo aquele acervo para um localonde pudesse ser feita uma triagem e a verificação do interesse ou não daqueles documentos. Mantive-me sempre na expectativa e, como não sou demasiado curioso, deixei correr os acontecimentos, ainda que procurando estar ao par do que se ia passando. O que eu não sabia era que haveria lá muita coisa que, se calhar, podia ter ajudado a salvar por nos interessar a sua preservação e tratamento.
Na verdade, só depois de, num verdadeiro acto de um tribunal do Santo Ofício, o dito vereador da cultura, muito pela calada, ter mandado queimar todo aquele conteúdo na lixeira municipal, me foi dito que, na pira do demoníaco edil, acabava de ser cremada uma boa parte da história de Monforte de Rio Livre. De facto, alguém viu nomeadamente livros de actas do nosso concelho que aqui haviam chegado por, na altura da extinção de Monforte se encontrarem em Lebução que, como se sabe, passou a pertencer, também a partir daí, a Valpaços.
Assim se permitiu, um reles vereador, amputar definitivamente uma boa parte da história da nossa terra. Pena é que os políticas continuem a portar-se perante a justiça como qualquer cidadão inimputável, não sendo, por isso, penalizados pelas suas asneiras. E não são poucas nem pequenas.
Afinal eu ando um pouco distraído. Ao rever as fotos que, nunca é demais, volto a agradecer ao amigo Humberto Serra, acabei por constatar que estão datadas, o que nos permite, como diria La Palice, situá-las temporalmente e dizer que são documentos de grande valor histórico, tanto mais que, algumas delas já têm a provecta idade de 58 anos.
Acresce que as obras que se verifica estarem a ser ou terem sido feitas não se reportam ao tempo que eu pensava - anos setenta do século passado - mas ao início da década anterior, isto é, a de sessenta ou, para ser mais preciso, a 1962.
Aí vai, então, mais um conjunto de fotos do nosso belíssimo Castelo.
Estas duas fotos são ambas de 1962. A primeira é uma vista geral da parte virada a nascente, ou seja, o conjunto das muralhas que se avistam do caminho da Maria Triga.
A segunda foi obtido do cimo da muralha interior e mostra a porta de entrada na Torre de Menagem, aqui com a muralha já reconstruída.
Dois aspectos das obras a que a muralha foi submetida (1962).
A entrada do lado poente e um pormenor da porta principal (1962).
Um bom amigo - quem tem comportamentos destes só pode sê-lo - procurou o mail de outro muito bom amigo e fez o favor de, através dele, me enviar um conjunto não só interessante mas, sobretudo, importantíssimo, de fotos do nosso Castelo de Monforte que, a ajuizar pelo que se observa, se reportarão à época em que a ainda Direcção Geral dos Monumentos Nacionai, agora IPPAR, resolveu fazer um pequeno restauro na muralha virada a Sul, exactamente por cima da porta de entrada principal. De resto, nunca mais ligou grande coisa ao monumento. Como não fica no Litoral...
É claro que não podia deixar de referir os amigos que me fizeram chegar as fotografias, que me deixaram todo babado e que, naturalmente, coloco aqui com um prazer indescritível. Então, em primeiro lugar, um muito obrigado ao Humberto Serra, esse grande flaviense que, lá desde Lisboa, nos vai brindando com excelentes posts sobre a nossa cidade. Havemos de nos encontrar um dia, talvez com o Pluto, para batermos um papo. Muito obrigado.
A quem também tenho de agradecer é ao Mário, já que fez, mesmo sabendo que com muito prazer, o favor de servir de portador, ainda que virtual, desse conjunto tão interessante de documentos sobre Monforte.
Hoje deixo, então, algumas das fotos. É só para aguçar o apetite. As outras virão noutra oportunidade.
Uma vista do lado Sul deixando bem visível a parte da muralha já reconstruída.
Uma vista do mesmo lado (Sul), todavia mais abrangente, podendo observar-se o conjunto das muralhas viradas a nascente e a muralha sobre a porta de entrada principal ainda por restaurar.
A propósito da Feira Medieval que irá decorrer na nossa cidade de Chaves no ´próximo fim de semana, procurei na minha memória a prateleira onde se vão guardando alguns acontecimentos de rara importância para a nossa terra e para o Castelo de Monforte em particular. Descobri, então, que passaram ontem exactamente nove anos sobre um evento interessantíssimo e de importância relevante que teve lugar dentro e fora das muralhas de Monforte. Reporto-me, evidentemente, à Feira Medieval que a Câmara então presidida pelo nosso paroquiano Alexandre Chaves projectou e levou a efeito julgo que com a intenção séria de, a partir daí, fazer uma animação pelo menos anual deste espaço por onde, afinal, também passou, uma boa parte da história do nosso País.
Mas, como de boas intenções está o mundo cheio, ficámo-nos, como sempre, por aí, pelas intenções. Até, já agora, a iluminação nocturna do monumento acontece somente quando calha. Creio que a merece como qualquer outro. E se esta chamada de atenção vai direitinha ao João Batista, ela dirige-se, naturalmente aos responsáveis pela cultura do múnicípio.
Os monumentos são um pouco como os museus, isto é, para que os possamos visitar é necessário algum estímulo. Ora, esse estímulo passa exactamente por um conjunto de actividades de animação de âmbito sociocultural que tenham a finalidade de dar a dinâmica necessária a esse locais, tendo em vista a atracção das pessoas. Se essa dinâmica não for posta em acção dificilmente podemos dar vida a esse espaços e, provavelmente não valerá a pena fazer aí grandes investimentos.
A verdade é que a Câmara (e a Junta de Freguesia deverá dar um empurrão) tem obrigação de descentralizar os seus eventos culturais, como pretendeu fazer a edilidade anterior, não os confinando à cidade (mesmo sabendo nós que até aqui não são demais). E se a Feira Medieval é para continuar a ser no espaço urbano, por que não alinhavar outros projectos para animar outros espaços importantes que estão fora dele?
Todavia, para demonstrar que o aquilo que ocorreu em Monforte não foi fiasco e que merecia continuidade aqui fica o testemunho possível neste conjunto de fotografias da época.
Dentro da muralha foram colocadas mesas para o repasto medieval.
Como seria de esperar, estava tudo esfomeado. Mas ninguém se queixou. Não faltou presunto, pão e vinho. Acreditem que foi de fartar vilanagem.
O rei e a rainha tiveram direito à presença de actores profissionais (creio que vindos de Setúbal) para fazerem uma recreação alusiva , claro, à época medieval.
E o povo acorreu em massa...
Também houve chegas de bois (vieram de Montalegre, pois, de onde havia de ser?) e corridas de cavalos.
E agora digam lá vocês, que estiveram lá, e vocês que gostariam de ter presenciado se não valeria a pena repetir!
Esta é, também, uma forma de prestar homenagem ao meu querido Zeca que há dez anos nos deixou para sempre.
São dele as fotos reproduzidas.
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