Numa época em que tanto se fala de globalização, energias alternativas, aproveitamento de recursos e quejandos, não é que dei com esta prenda no fundo de uma gaveta?
Pois é, a verdade é que quando deparei com a tia Inocência em plena laboração no seu tear, na sua casa da Lampaça, provavelmente enquanto o Ti Zé Justina tratava do quintal, não hesitei em trazê-la até aqui.
De facto, se recuarmos no tempo - e esta fotografia já tem mais de trinta anos - podemos observar como, quando ainda não se falava em reciclagem, já em Águas Frias (como noutros locais, evidentemente) se teciam os mantões a partir de farrapos velhos que as mulheres iam juntando em casa. Com uma diferença: os mantões eram, na maior parte dos casos, mandados tecer com a finalidade de aquecer os corpos das pessoas enquanto dormiam (onde estavam os edredons?) e hoje, regalam-se as herceiras que os têm para atapetar as suas casas. Como os tempos mudam...
Mas a tia Inocência também produzia cobertores e colchas de linho. Ah! durante muitos anos, o linho foi cultivado intensamente na aldeia. Ainda me lembro de algumas mulheres, era eu um garoteco, estarem a espadaná-lo (creio que se diziz assim) no largo de Cimo de Vila. E o que ficou disso? Exactamente o topónimo "linhar", isto é, os prédios rústicos onde se fazia a cultura do linho. E quase toda a gente tem o seu "linhar" onde, em vez do linho de outrora, cultivam o que de melhor dá a terra, o chamado "renovo" (os hortículas) e as preciosas batatas que, em tempos, foram o sustento das nossas gentes.
Bom, o tear da tia Inocência presumo que ainda estará lá na casa que deixou aos seus filhos. Estou convencido que o Felizberto e o Alfredo não se desfizeram dele. Seria óptimo que o mantivessem porque ainda não perdi a esperança de criar um pequeno museu rural que possa dar vida aos utensílios que foram objectos de trabalho dos nossos antepassados e, naturalmente, o tear da tia Inocência é uma peça fundamental desse rico património. A seu tempo estarei com eles para lhes fazer o pedido que, estou certo, irão considerar.
Deu-me um prazer enorme recordar essa senhora que, tendo-nos deixado há uns anos, se mantém bem presente no meu coração.
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