Segunda-feira, 22 de Junho de 2015

O CASTELO, SEMPRE!

Numa altura em que a petição que tantos amigos do nosso Castelo subscreveram está na Assembleia da República para eventual discussão e, esperamos merecer a mais que desejada e justa aprovação, nunca é demais falarmos nesse monumento que, ao contrário de tantos outros,não tem merecido a atenção que só quem de direito tem enjeitado.

Ora, uma das formas de chamar a atenção para o Castelo de Monforte de Rio Livre passa por, por exemplo, insistirmos em colocar neste espaço algumas fotos do seu estado actual.

E, quando tenho um amigo que, ao mesmo tempo, é também um dos defensores do nosso património mais importante, e me envia fotos às dezenas, mal fora que eu não as disponibilizasse a todos os que estão connosco nesta luta.

Deixo-vos, então, algumas das fotos que o Humberto Ferreira, mais uma vez, consegui aquando da sua última deslocação a Monforte, exactamente no passado dia 19 deste mês que se vai aproximando do seu termo.

O meu muito obrigado ao Humberto pelo trabalho extraordinário que tem realizado em prol do nosso Castelo e, obviamente, pelas excelentes fotografias com que nos brindou.

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 Ah!, a nossa aldeia continua sob a protecção desse roqueiro com séculos de história.

Podemos observar três dos bairros que a compõem: empprimeiro plano, meio escondido pelos carvalhos, o Bairro de Cimo de Vila; à esquerda, sob a copa dos lindíssimos castanheiros floridos, o Povo; e ao fundo, junto à Igreja Matriz, o Bairro do Casal.

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Terça-feira, 12 de Maio de 2015

O CASTELO FOTOGRAFADO PELO BERTO

Como já vem sendo hábito, o meu amigo (e de Águas Frias) Humberto Ferreira teve a gentileza de me brindar com mais um conjunto de belíssimas fotos sobre o nosso Castelo de Monforte de Rio Livre.

Ora, como não gosto de guardar só para mim aquilo que me parece dever ser acessível a todos os amigos da nossa aldeia e, obviamente, do Castelo, com a devida autorização do Berto, aqui vos deixo esse grande testemunho fotográfico do meu amigo de Outeiro Seco.

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Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2015

...

Petição em defesa, salvaguarda e reabilitação do Castelo de Monforte de Rio Livre em Chaves

Para: Presidente da Assembleia da República, Primeiro-Ministro, Secretário de Estado da Cultura, Diretor-Geral do Património Cultural, Presidente do Parlamento Europeu, Comissário Europeu da Cultura

Exma. Senhora Presidente da Assembleia da República
Exmo. Senhor Primeiro-Ministro
Exmo. Senhor Secretário de Estado da Cultura
Exmo. Senhor Diretor-Geral do Património Cultural
Exmo. Senhor Presidente do Parlamento Europeu
Exmo. Senhor Comissário Europeu da Cultura

O Castelo de Monforte de Rio Livre, associado à esplêndida envolvente paisagística, constitui um importante produto cultural como suporte da economia local, contribuindo para o desenvolvimento da região.
Tratando-se de um Monumento Nacional desde 1950, as últimas intervenções datam da década de 1990, estando atualmente em completo abandono.
Assim, consideramos necessário a salvaguarda do local, através da recuperação e valorização do seu Património Histórico.

Os cidadãos a seguir assinados e identificados, vêm por este meio, requerer a Vossas Excelências a preservação do Castelo como um importante marco da História de um Povo, divulgá-lo e torná-lo apelativo como atração turística, dinamizá-lo através de atividades várias, melhorar as acessibilidades e área envolvente, aproveitar as suas potencialidades para promovê-lo dentro e fora de Portugal.

Garantindo a sua recuperação, manutenção e sustentabilidade a longo prazo.

Portugal, 29 de Abril de 2014

Os Signatários,

 
ASSINAR EM PETICAOPUBLICA.COM/psign.aspx?pi=PT73383
 
NOTA: não exagero se afirmar que todos os Aquafrigidenses têm obrigação de assinar esta petição.
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Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2014

APONTAMENTO

LivroMonforte

 

“Monforte de Rio Livre – História, Lugares e Afectos”.

-Maria Aline Ferreira-

(apontamento breve e imediato)

 

Deixa-me sempre contente qualquer iniciativa, esforço ou conquista em benefício do Território e das Gentes da (MINHA) NORMANDIA TAMEGANA.

Na sexta-feira, 12 de Dezembro, adquiri o livro “Monforte de Rio Livre – História, Lugares e Afectos”.

Havia sido apresentado na véspera, na Biblioteca Municipal de Chaves.

Este livro tem no título um pleonasmo desnecessário, embora enfático …. «Afectos».

Está bem patente nos “trabalhos e canseiras” da autora o carinho e, afinal, toda a afeição, com que escreveu este livro. Os «afectos» estão na moda, e muitos autores de livros deixam-se cair na tentação da rotina pindérica.

Pudera eu, e imprimiria cada página na fronha de alguns pregoeiros-mestres em História ou em Humanidades!

Nem o diabo acredita que «encanulados» em História ou Arquitectura manifestem tanta insensibilidade ou indiferença - até parece que azedume! - perante os vestígios e os monumentos que os antepassados nos legaram!

E o CASTELO de MONFORTE de RIO LIVRE não é assim tão insignificante no seu volume histórico ou na riqueza paisagística que nos oferece para ser abusivamente abandonado e desprezado pelas «entidades competentes».

“Monforte de Rio Livre – História, Lugares e Afectos” é um livro que merece ser lido e visitado pelos Normando-Tameganos e pelos Estudantes.

Pena é que esteja à venda por um preço demasiado alto (quando todos os «híper» e «minis» Mercados se gabam, a toda a hora e momento, nos panfletos, nos Jornais, na Rádio e Televisão dos “PREÇOS BAIXOS”!

Sendo um livro com edição patrocinada por DUAS Câmaras Municipais (Chaves e Valpaços), bem podia estar à venda por um preço mais «popular».

Assim, para além dos exemplares que forem oferecidos, poucos irão cumprir a missão que lhe cabe: divulgar a História; lembrar aos amantes da Natureza um lugar de encanto, de sossego e de inspiração; e dar a conhecer mais uma Normando-Tamegana que quer bem à NOSSA TERRA.

Vi o livro na montra da Papelaria.

Entrei.

Perguntei se tinham livros de autores Transmontanos ou da Região.

As balconistas, perdão, «agentes técnicas da colocação de livros em cima-do-balcão», mais preocupadas em olhar pelas vidraças da porta e da janela para «apreciar» quem sobe e desce a rua, encolheram os ombros.

Perguntámos se conheciam os escritores, José Carlos Barros, Bento da Cruz, Isabel Seixas, Gil dos Santos e João Madureira.

Ao ouvir o nome do último responderam (num tom como quem diz: ora essa!): - «Esse é um professor»!

Citei o título de algumas obras.

Avivou-se-lhes a memória e puseram uns três em cima da mesa.

-Como vêem, os nomes de quem lhes são autores destes livros” - sublinhei.

Continuaram preocupadas a olhar para as vidraças.

Paguei os “18 €uros” do “Monforte de Rio Livre – História, Lugares e Afectos”e «pus-me a mexer, enquanto era tempo»!

Para nós, a ajudazinha da Câmara Municipal de Chaves na edição deste livro não passa de uma cretina imposturice, disfarçada no apreço pessoal pela autora, e a tentar engrampar, uma vez mais, OS de Monforte de Rio Livre (e não só!), fazendo há-de conta que até dá importância ao CASTELO, embora consinta na sua ruína e nem sequer um caminho transitável e decente mande arranjar para lhe aceder.

O «despotismo da câmara municipal» contra o povo, registado em 1788, conforme relatado na página 195, perdura. Naquele tempo, os responsáveis que não «procedessem ao concerto (conserto) das estradas públicas» eram «condenados a pagar ….».

 

M., 16 de Dezembro de 2014

Luís Henrique Fernandes

(O Caval(h)eiro de Monforte)

 

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Sexta-feira, 4 de Julho de 2014

“QUE É FEITO de TI?!”

 

 

“QUE É FEITO de TI?!

Ao Celestino Chaves,

O TINO da Tia Mimi

de Águas Frias

 

O CASTELO DE MONFORTE DE RIO LIVRE é um lugar que revisitamos com muito gosto.

De lá, podemos apreciar toda a Veiga de Chaves e os graciosos e imponentes montes e montanhas que a “circunvizinham”.

É um dia de Verão, quente como o costume, na NORMANDIA TAMEGANA.

O leve ar fresco que sopra da Galiza ameniza o calor e dá um saboroso conforto à sombra das árvores espalhadas pelo recinto do recreio do Castelo.

Aí chegado, temos sempre a sensação de estar a ser vigiado por sentinelas vestidas com armadura de ferro e armadas com arcos e flechas; parece-nos ouvir o tropel de cavalaria inimiga, o sibilar de flechas e virotões; ver os ventos cruzados atirar uma enorme nuvem contra outra, assemelhadas a dois santos engalfinhados, à espadeirada, a ver qual deles, S. Jorge ou S. Tiago, tinha espada mais afiada e de melhor têmpera e os mais fervorosos beatos falsos.

Nas ameias, julgávamos ver odaliscas a dançar os véus e o corpo como promessa de «mil e uma noites» de prazer.

Pelo desfiladeiro norte, espreitámos os Caminhos de Santiago sem topar caminheiros nem cavaleiros.

Pelo planalto, a sul, estendemos o olhar, sem dar conta da vista de mouros ou cristãos.

Julgámos ouvir um gemido, doloroso e apaixonado, junto à muralha de nascente.

Aproximámo-nos, e parámos junto a uma fonte seca. Na beira da pedra, onde antes de punham os cântaros ou as bilhas, para depois se levantarem até ao ombro ou à cabeça, vimos uma pedra do tamanho de uma mão larga.

Chegámo-nos mais perto.

Por debaixo da pedra do tamanho de uma mão larga espreitava um pedacinho de papel.

Olhámos vagarosa e atentamente em redor.

O pio áspero e agudo de um milhafre fez-nos dar conta do assombro, e do assombroso silêncio, que nos rodeia.

Chegámo-nos à fonte seca, junto à muralha nascente.

Talvez a pedra do tamanho de uma mão larga e o papel que pisava e escondia fossem um ritual para, chegado o anoitecer e o luar começasse a brilhar, alguma moira encantada regressasse à vida de princesa de Monforte de Rio Livre.

A coragem deu-nos força para deitar a nossa mão estreita à pedra do tamanho de mão larga.

Levantámo-la com uma, e logo apanhámos o papel com a outra!

Estava dobrado em forma de navio, tal qual aquele que fazíamos, na meninice e na juventude, com uma qualquer folha de jornal de papel de forrar o louceiro ou do caderno de cópia e de ditado.

Voltámos a olhar atentamente à nossa volta.

Apurámos o ouvido.

Nada!

Procurámos uma sombra mais confortável e acolhedora.

Voltámos a comprovar o nosso sossego e a nossa solidão.

Desdobrámos, com todo o cuidado e algum receio, o papelinho dobrado em forma de navio.

E lemos:

…,

QUE É FEITO de TI?!

 

Tu!

Que é feito de ti?!

Por onde tens andado, que não te tenho visto?

Por que fugiste?!

Não. Tu não fugiste.

Deixaste-me!

Deste conta de um largo e longo caminho à tua frente quando te lembraste que o meu era estreito e curto.

Tiveste pressa em percorrê-lo. Mesmo sem saber se esse caminho podia terminar logo ali ao desfazer a primeira curva ou no princípio da segunda ladeira.

Avaliaste-me as forças, e viste que eu não podia acompanhar-te a passada.

Fizeste bem.

Fizeste bem?!

Espero bem que sim.

Fechaste a porta, dos teus olhos e do teu coração.

Nunca mais te vi.

E já lá vai tanto tempo!

Sim, tanto! Porque esse tempo corresponde ao espaço da minha vida preenchido com toda a pena pela tua ausência e coberto pelas saudades da alegria de viver que me davas!

Tu!

Que é fito de ti?

Por onde tens andado, que não te tenho visto?

Se ao menos andasses em boa companhia!

Os teus dias são maiores do que as noites?

O desfiladeiro que nos separa é enorme, íngreme, sem veredas ou carreiros por onde eu possa partir à tua procura.

Tu estarás lá no alto, empurrada pela sorte, pela fortuna, pela felicidade.

Eu permaneço cá no fundo, com a tristeza e a saudade.

A vida escoa-se-me cada vez mais depressa.

Sinto pena, imensa pena de não poder ver-te.

Tu!

Que é feito de ti?!

…….-

 

Agora digam que a NOSSA TERRA, a NORMANDIA TAMEGANA e a voivodia de ÁGUAS FRIAS não são “TERRA de ENCANTO”!

 

M., 2 de Julho de 2014

O caval(h)eiro de Monforte

 

NOTA: Este é um texto inédito com que o meu muito amigo e amante da nossa terra, Senhor Luís Fernandes, quis lisonjear-me, publicando-o aqui neste espaço que, ele sabe-o, também lhe pertence. Um abraço fraterno desde Monforte até à sua querida Granjinha.

 

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Segunda-feira, 12 de Julho de 2010

Encontro da blogosfera

No passado sábado, assim de repente, quase parecia que a nossa terra tinha passado a ser um povo de muita gente. Que o diga o Rique quando, logo pela manhã, viu o seu café invadido por quase quatro centenas de forasteiros, vindos de uma série de sítios, mas todos com o concelho de Chaves como marca de registo.

Pois, foi exactamente com uma visita à aldeia que os participantes no encontro de verão da blogosfera flaviense iniciaram este encontro que já se vai realizando há uns anos a esta parte e que cada vez conta com mais aderentes.  Águas Frias e as suas gentes sentiram-se muito honradas com estes visitantes inesperados e receberam-nos com a simpatia que os caracteriza.

 

 

À hora do almoço tocou a reunir no espaço de lazer do Castelo que, antecipadamente, graças ao nosso presidente da Junta, Romeu Gomes e à indispensável acção do senhor presidente da Câmara, Dr. João Baptista, teve a intervenção de alguns operários municipais para que lhe fossem dadas as condições necessárias à sua utilização. Bem hajam por isso. Pena foi que a agenda de ambos não tivesse permitido que nos honrassem com a sua presença.

 

 

À sombra dos lindos carvalhos foi estendida a mesa uqe depressa se encheu de convivas.

 

 

 

 

 

Mas, afinal, quem animou esta malta toda foi o excelente almoço com que a equipa do Quim Ruço nos deliciou. A rapaziada matou a fome comendo um cordeirinho assado cá da aldeia e à nossa moda e ficou tão avezada que prometeu voltar. Têm, portanto, o Quim, a Irene, a Guida, a Julia e o Leonel que ficar de atalaia e preparados para o que der e vier. Eu só tenho que lhes ficar muito grato pelo imenso trabalho que  tiveram para que toda esta gente saísse daqui satisfeitíssima. Muito obrigado a esta excelente aquipa.

 

 

 

 

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Sábado, 26 de Junho de 2010

Encontro de verão da blogosfera flaviense

Este ano a blogosfera flaviense (e não só, uma vez que alguns valpacenses já fizeram questão de estar presentes!) decidiu que o  encontro de verão tivesse lugar nos nossos domínios. O local escolhido foi o Castelo de Monforte e todos os aquafrigidenses irão ficar muito satisfeitos por ter sido escolhida a sua terra para tão importante evento.

Vamos certamente recebê-los como só nós sabemos fazê-lo.

Sejam bem vindos às Terras de Monforte!

 

 

Foto de Fernando Ribeiro

 

 

Nota: As inscrições também podem ser feitas para  celestinochaves@sapo.pt

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Sábado, 3 de Abril de 2010

Na encosta do Castelo de Monforte

 

Há dias, numa das minhas pesquisas na net, a propósito do topónimo "mornegra", nome por que designamos uma parte do nosso termo, descobri um texto sob o título que aproveitei para este post. E se constituiu uma agradável surpresa para mim encontrar uma alusão à nossa aldeia num site de BTT, muito mais agradável foi, depois de o ler de fio a pavio, constatar que o seu autor era, nem mais nem menos, o meu primito lá da capital. Com efeito, embora eu o desconhecesse, o Pedro gosta das bicicletas e, sendo um amante da natureza, fez uma incursão por terras de Monforte, descrevendo, num texto de rara beleza, os encantos da terra que ele, lisboeta de gema, afinal, também adora. E isso deixou-me tão feliz que não resisti à tentação de transcrever aqui esse maravilhoso texto (espero que o Pedro não se importe que o tenha feito sem a antecipada autorização), associando-lhe uma fotografia que fiz exactamente a partir da Mornegra, mais propriamente do alto das Talhinhas.

Obrigado, Pedro, pelo excelente trabalho com que enalteces esta lindíssima terra.

Um abraço enorme do Tino.

 

 

Na encosta do Castelo de Monforte

psardo:
Apenas 36 horas antes de partir abri a janela quase a dormir e não vi nem uma estrela. O ruído das luzes projectava-se a milhares de quilómetros e vedava ao olhos o prazer de contemplar tantas estrelas, não tantas quantas as que existem, mas ainda assim tantas que não consigo contar. Apenas 12 horas antes de partir bastou espreitar pela janela para as tentar contar, uma a uma, como se lhes conseguisse tocar, até adormecer.

24 horas antes de partir dois ou três, ou seriam quatro, ou muitos, condutores apressados abriram ruidosamente a porta do sono que dormia e fecharam-na bruscamente à minha passagem. Acordei e fechei novamente os olhos à procura da porta, agora inexistente. 1 hora antes da partir dois papa figos, pelo menos julguei que eram papa figos, e também julguei que eram dois, escoltaram-me de perto, muito perto, com melodias, lindas, até à porta do sono que dormia. Acordei e a porta ainda estava aberta, abri os olhos e olhei enquanto desaparecia suavemente ao som da mesma melodia, linda.

Comi, como sempre como, bebi um copo de sumo, como quase nunca bebo porque quase nunca vou pegar nela e partir. O leite cai-me sempre mal e costuma revoltar-se logo na primeira subida. Nos dias em que pego nela, tão poucos, quase nunca, bebo sumo, como quase nunca bebo.

Estavam 6 graus em Aguas Frias, onde a minha mãe nasceu há tantos anos, e a mãe da minha mãe há tantos mais, e a mãe da mãe da minha mãe há muitos mais, quando não havia bicicletas, nem carros, nem estradas, e Águas Frias era tão longe.

Passei ali os meus verões todos entre os seis ou sete anos e os dezasseis ou dezassete, três meses inteiros entre o fim da escola e o início da escola, e ali fui crescendo um bocadinho todos os anos. E ali tenho voltado todos os anos, sempre que posso, mas sempre menos tempo, sempre muito menos dias e muito menos noites, muito menos correrias pelos lameiros, a pé ou a cavalo, às descaradas ou às escondidas, muito menos.

Mas sempre que posso volto, e 36 horas antes de partir já imaginava as estrelas e os papa figos. Desta vez levei-a comigo, queria arejar, fugir do ruído das luzes e dos condutores apressados, inspirar fundo, muito fundo, expirar, sorrir imenso, olhar o céu, cheirar o frio, o estrume, a lenha a queimar, os campos verdes, a barragem, a terra, a geada, os castanheiros, as silvas, as gentes, as casas, as batatas, os enchidos ao fumeiro, a adega do meu avô.

Estavam 6 graus quando parei para tirar a primeira foto, passado já o cemitério onde dorme eternamente a mãe da mãe da minha mãe.

Ia mais ou menos com uma rota traçada, ainda que sem destino, sem pressa de voltar, apenas pelo prazer de ir e depois voltar, era a primeira vez que a levava a ela, ou que era ela a levar-me a mim, ali, não tão longe como há muito tempo era, mas onde ainda mandam os que lá estão, tal como há muito tempo, para lá do Marão.

Ia para Oeste até à mornegra, ia espreitar o cemitério dos bagos que espremi meses antes até darem o néctar que ia provar pela primeira vez poucas horas depois.

Depois subia para a barragem, contemplava aquele absoluto silêncio e continuava, agora para Noroeste, sempre a subir, até Curral de Vacas.

Em Curral de Vacas virava para Norte a caminho de Espanha. O que não sabia é que ia parar para contemplar este castanheiro, provavelmente tão antigo como a mãe da minha mãe, e para o guardar para sempre na minha memória.

Tal como imaginei, cheguei ao cruzamento para Paradela e Casas de Monforte, e virei para Nordeste.

Enquanto descia pelo alcatrão mal tratado e sentia na cara a brisa gelada com tanto agrado quanto uma criança sente o chupa-chupa a desfazer-se lentamente na boca, pensava porque raio a placa que indicava uma das últimas fugas antes de rumar a Espanha estava tão esburacada. Teria lá pousado uma perdiz, ou foi simplesmente um tiro em cheio no descarregar da frustração de um caçador, ou dois, ou três, que nesse dia não viram uma única perdiz, uma única lebre, como quase todos os dias não vêm já há tanto tempo?

Em Paradela ia agradecer à Nossa Senhora da Boa Viagem Aguas Frias já não ser tão longe e ia seguir quase até Casas de Monforte.

Imaginei que as ia ver pelo caminho, mas não sabia antes de partir que era ali, naquele lameiro, com Paradela em pano de fundo. Parei para as observar.

Depois, já apontado a Sul, sai novamente do alcatrão mal tratado, de ao pé das casas e das gentes e do fumo das lareiras e do latido dos cachorros e perdi-me um pouco pelos montes, para trás e para a frente, sempre a tentar um caminho novo, um atalho, um rigueiro, qualquer coisa onde coubessemos os dois. Pelo meio guardei um trilho muito pouco utilizado, mesmo muito pouco, e procurei de novo o rumo ao Sul...

... a caminho do Castelo de Monforte, que em tempos avistou as tropas de Napoleão, primeiro a vir, depois a ir. Foi ali que D. Dinis o quis, e ali o construi, dos sete que fez, o mais forte, o de Monforte!

Mesmo antes de chegar, para recordar a beleza daquele sítio e guardar a vontade de voltar, de voltar a pedalar.

E finalmente iria regressar, passando novamente o cemitério, pela estrada da Igreja, onde três dias depois iria assistir à missa, a última, do padre que tantos anos antes casou os meus pais e me batizou. Mas quando imaginei o meu percurso e imaginei que ali ia passar não o sabia. Nem quando lá passei.

E no fim, mesmo antes de chegar, mesmo por baixo do Castelo... Aguas Frias, a "minha" Aldeia.

Comi e bebi como quase nunca como e bebo, as coisas que as nossas próprias mãos fizeram. E assim foi e assim será se Deus quiser quando lá voltar.
Pedro Sardo

 

 

publicado por riolivre às 15:01
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Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

Águas Frias - Bela e Fria

O meu amigo Humberto continua a oferecer-me fotos lindíssimas da nossa terra. Seria muito egoista se não partilhasse (com a sua evidente autorização) algumas delas com todos os conterrâneos, sobretudo com aqueles que não tiveram oportunidade de ver, ao vivo, com a nossa aldeia fica linda quando se deixa cobrir por um manto de neve, como aconteceu no passado domingo.

 

Deliciem-se...

 

 

 

 

 

publicado por riolivre às 22:08
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Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

Águas Frias - A neve voltou

Para uns é uma grande chatice. Para outros, uma forma de distracção. Finalmente, para outros ainda, é algo que o inverno nem sempre traz mas que sempre se aprecia.

 

De facto, a neve que nalguns invernos (antigamente era em todos!) vai caindo e pintando de branco as nossas terras, não é bem vinda para aqueles que, tendo que se deslocar par ao trabalho, ficam impedidos de o fazer, é algo por que esperam aqueles que nunca a viram ou que se aprestam para fazer dela ou com ela um divertimento e, é ainda como que um maná para a nossa agricultura e, por via disso, sempre bem recebida por quem trata da terra, que o mesmo é dizer, neste caso, os nossos conterrâneos que ainda vão resistindo por cá à espera que essa terra lhes dê o sustento.

 

De todo em todo, é sempre espectacular a transformação que o acumular de "farrapos" que vão caindo do céu traz à paisagem da nossa aldeia e do seu termo. E eu já me habituei a esperar que, nestas alturas, o meu amigo Humberto, que não sendo da aldeia gosta mujito dela (e nós ficamos muito contentes por isso) passe por aí, tire uns retratos e faça o favor de mos disponibilizar. E não foi preciso esperar assim tanto. Foi, talvez, o tempo necessário para lhes dar um pequeno tratamento e, como que por magia, já estavam na minha posse.

 

Então aqui vos deixo, sobretudo para os que estão mais longe do nosso torrão natal, os momentos e os locais que o Humberto conseguiu captar com a sua câmara.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A finalizar, não podendo mostrar o autor, fica o acompanhante de sempre nestas andanças, o seu e nosso amigo Luís Vaz.

 

 

 

publicado por riolivre às 23:09
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