Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

Águas Frias - Festa 2008

Não sei se o S. Pedro deu autorização. Não sei mesmo se alguém se deu ao trabalho de, respeitosamente, o ter informado. Fosse como fosse, na sua eterna bondade não deve ter ficado minimamente aborrecido por os mordomos terem mudado a festa em sua honra de Junho para Agosto.

Águas Frias engalanou-se, então, para presentear a sua diáspora (interna e externa, mas sobretudo esta) com uma festa como há muito não acontecia. E se bem o pensaram, melhor o fizeram. A rapaziada correspondeu e penso não estar longe da verdade se disser que houve uns tantos que terão sido atraídos pela festa, motivo que os trouxe às origens por uma vez mais. O programa era, aliás, aliciante e, talvez pela primeira vez, repartido por três, sim, isso mesmo, três dias de festa.

É claro que os mordomos souberam reunir à sua volta o staff condizente com o evento. Com a humildade que os caracteriza (não foram eles aquafrigidenses de gema) ofereceram a programação do primeiro dia a quem já tem disso algum traquejo, que isto de planificar actividades lúdicas como a recuperação de alguns dos jogos que antigamente se faziam no dia a dia da aldeia tem que se lhe diga. Até as novas tecnologias foram de uma utilidade impressionante e particularmente eficaz. Que o digam o Augusto e a Edite, autênticos animadores socioculturais, que e empenharam todo o seu saber e energias para dar corpo a este aspecto da festa que se constituiu num aspecto particular e interessantíssimo, quer pelo número de participantes, quer por ter atraído muita gente que conseguiu, a par dos que não conheciam os jogos, rever a sua juventude.

Então, para a Edite e o Augusto, aqui fica o meu tributo pelo seu trabalho e pela forma denodada como puseram em prática uma actividade que nos transportou até à nossa adolescência e juventude e que muito contribuiu para que os jovens de hoje soubessem, na prática, como se divertiam os seus progenitores e para que apreendessem esta forma singela de estar na vida e procurem não deixar perder tão importante património imaterial. Obrigado aos dois por um momento único de felicidade que me proporcionaram.

 

 

Sábado foi, assim, o primeiro dia dos festejos e aquele em que tiveram lugar os jogos. E quem deu o tiro de partida foi, como não podia deixar de ser, a pequenada. À falta de púcaros de barro (não vivêssemos nós no país do desenrasca), vai de encher uns balões, vendar os olhos aos petizes, armá-los com cabos de vassoura e, ei-los a atacar os balões na tentativa de os rebentar.

 

 

Para além de alguns mais azarados terem levado com o pau que se devia dirigir aos balões tudo correu muito bem com os miúdos felizes por terem participado e os espectadores, sobretudo os progenitores, babados com as suas crias.

 

 

O jogo que se seguiu é que já não era para qualquer. A rapaziada levou até ao recreio da escola um amieiro com 5 ou 6 metros de altura para o jogo do Pau Ensebado. Como o calor poderia alterar o presunto trataram de encher um saco de palha, que penduraram antes de elevar o tronco na vertical. Com um pedaço de chicha gorda ensebaram-no devidamente e estava agora preparado para os mais audazes. Quem conseguisse subior até ao saco teria direito ao presunto respectivo (parece que foi irmamente distribuido pela malta como mandam os ditames da amizade que une estas gentes).

 

 

Candidatos não faltaram. A verdade é que pouco mais de um metro conseguiam subir. O esforço era inglório.

 

 

A solução encontrada passou por formar uma equipa que, em pirâmide, lá conseguiu levar o ainda jovem Rogério até ao alvo. Foi a apoteose. Espero que o presunto não lhes tenha feito mal.

 

 

Para jogar o fite o número de equipas inscritas foi tão elevado que os organizadores se viram forçados a uma pequena alteração das regras, caso contrário, prolongar-se-ia pela noite dentro, tal foi o interesse que este jogo suscitou nos mais velhos e até nos mais novos. Vejam só a expectativa do Bino após mais um lançamento!

 

 

Aqui, o Zé Júlio, em suplesse, acaba de fazer um lançamento. Contudo, a almejada final foi disputada pela equipa do Zé (do ti Américo Barbeiro) e do irmão Marcelino que, com o pássaro na mão, deixaram fugir a vitória final para o Quim Ruço  e o Silvestre. Parabens aos vencedores e ao desportivismo dos vencidos.

 

 

Domingo, o dia maior, contou com a habitual eucaristia e com a trdicional procissão. Mas, como da festa em honra do padroeiro se tratava, tradição é tradição e, para não se perder, pela calada da noite de sábado para domingo, pé ante pé, a boa da rapaziada pôs pés ao caminho e, tudo quanto era vaso que estivesse nas varandas foi transportado para a Igreja que, desta forma, e com este costume ancestral, fica com uma moldura fantástica e muito característica.

 

Quatro bem enfeitados andores, seguidos de muito povo, percorreram as principais ruas da aldeia desaguando no ponto de partida, o adro da Igreja Matriz.

 

 

 

 

Uma curiosidade deveras interessante: a habitual banda de música não se fez ouvir durante a procissão. Foi trocada  - e eu digo, muito bem) por uma gaiteirada galega espantosa e espectacular que se deslocou do Carballino, para lá de Ourense, e que nos trouxe uma animação fora do comum que só mesmo os galegos conseguem propiciar.

 

Cumprida a parte religiosa das festividades, ala que se faz tarde, as mulheres na frente, os homens logo atrás, partiram à procura de casa e dos convidados. O cordeiro e o leitão assados no forno próprio ou do vizinho estavam à espera de estômagos vorazes há muito preparados para a grande farra.

 

À tarde e à noite, na chamada parte profana dos festejos, aí estiveram dois grupos musicais que animaram novos e velhos e serviram para muitos darem o pé de dança que só acontece de ano a ano.

 

sinto-me: muito feliz
publicado por riolivre às 11:55
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6 comentários:
De ÁguasFrias a 14 de Agosto de 2008 às 01:02
Tino.
Eu que sou pouco amante de festas, tenho a dizer que vivi dias muito animados.
Os jogos populares, a confraternização, a alegria por ver Gente alegre, a charanga, a mistura da devoção e a animação ... S. Pedro deve ter ficado com um sorriso de orelha a orelha, ao ver tanto entusiasmo, satisfação, alegria em sua honra. Mas quem ficou, de facto a ganhar foram os nela participaram.
Foram uns momentos fantásticos. Fazia falta.
Para o ano há mais.
Um abraço
Mário
De riolivre a 14 de Agosto de 2008 às 18:21
Olha Mário, isto também não é muito do meu jeito, como diria um qualquer brasileiro. Mas que a malta se divertiu imenso e que deu para ver uma animação que já faltava na aldeia, lá isso deu!
Concordo contigo. Para o ano haverá mais. E atrevo-me a dizer que, se a rapaziada estiver para aí virada, poderá ser muito melhor.
Aquele abraço.
De tj24h@hotmail.com a 16 de Agosto de 2008 às 10:00
Parabêns caro amigo.Fico grato, por estando longe ,poder ter noticias da minha terra, que muito amo...e que por necessidade, deixei a cerca de 30 anos ,mas que continua no meu coração.Não estive presente nesse evento,gostaria de ter estado,não tive conhecimento,fiquei a saber na terça feira seguinte.De certa forma sinto-me recompençado pela narrativa e fotos.Mão quero perder a proxima.um abraço....Abel
De riolivre a 16 de Agosto de 2008 às 23:18
Não faço mais do que a minha obrigação, e essa passa por levar a minha terra a todos os que tiveram que a abandonar fosse por que motivo fosse.
E fico muito feliz quando tenho este feedback, exactamente porque acabo por tocar o que pretendo.
Um abraço enorme, Abel.
Tino
De Rogério Coelho a 1 de Setembro de 2008 às 15:35
Olá caros companheiros destas lides dos blogs, sou o responsável pelo blog Faiões.Blog e venho por meio deste comentário, dar a conhecer o mais recente site do concelho de Chaves, de seu nome: CHAVES MAPAS, pretende utilizar a capacidade representativa que a cartografia tem, para dar conhecer o nosso belo concelho. Visitem e deixem a vossa opinião em:


http://chavesmapas.googlepages.com/


Desde já o meu muito obrigado.
De riolivre a 1 de Setembro de 2008 às 16:57
Chaves só tem que se orgulhar dos filhos que, como o Rogério, em vez de fazerem estudos sobre coisas tantas vezes pouco interessantes, se debruçam sobre a terra que os deu ao mundo, investigando e dando a conhecer, com a sua sapiência, o que outros nunca conseguiram ou nem sequer quiseram fazer.
Para além dos merecidos parabens, espero que consiga terminar o seu curso com a melhor classificação e que venha a ser útil no seu magistério ao País e, sobretudo, à terra de que tanto gostamos e que, por vezes, tão mal tratamos.
Abraço.
Celestino Chaves

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