Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Águas Frias - "O cimento"

 

As minhas deambulações pela aldeia que me deu ao mundo, sempre que aí me desloco - e são bem menos vezes do que eu gostaria que acontecesse - são quase sempre à procura de recordações da infância. esse foi, de facto, o tempo inteiro que aí vivi, uma vez que, a partirda adolescência, só nas férias pude desfrutar de espaço tão acolhedor.

Ora, num desses domingos (ou sábado?) que por aí andei, acabei por dar comigo a passar a pente fino a Escola onde a minha prima Glória me ensinou as primeiras letras, mister a que deu continuidade a regente Alcina, das Assureiras e, já na quarta classe, a Rosinha, de Casas, que, julgo, estaria, se não a iniciar o seu labor de muitos anos, pelo menos muito próximo disso. E como eu tenho que estar reconhecido a estas grandes senhoras que, afinal, tiveram o trabalho mais árduo, isto é, o de desbravar o intelecto preparando-nos para o futuro. Foram elas que construiram os alicerces da minha vida, disso não tenho qualquer dúvida.

Mas também recordei aqueles que acompanhei e me acompanharam, nesse Outubro de 1956, desde o primeiro dia em que esta Escola nos acolheu dentro das sua paredes. Só não cito essa rapaziada porque não quero correr o risco de omitir o nome de algum companheiro desse tempo. Mas permito-me chamar à colação um deles porque, infelizmente, e de uma forma que nunca fomos capazes de compreender, nos deixou definitivamente, ainda muito jovem. Aqui fica a minha homenagem ao querido Caló que, se o conseguir, será devidamente lembrado quando, um  dia, pudermos juntar-nos todos na adeia.

Acabei por me perder e não falar no assunto que aqui me trouxe e que tem a ver com uma parte do edifício onde tantos aquafrigidenses aprenderam a ler e a contar.

Então, vamos ao que interessa: na ditadura, apesar de não se dar a importaância devida à educação - quanto mais analfabeto fosse o povo melhor se governaria - foi criado um plano, o Centenário, para a construção de escolas primárias. Ainda não fiz a investigação que pretendo sobre o assunto mas, a verdade é que a nossa Escola não fez parte desse plano. Ela surge porque um emigrante da terra, que enriqueceu em terras de Vera Cruz, decidiu constituir-se como benemérito e mandou construir o bomito edifício que todos conhecemos. Todavia, como as escolas do tal plano centenário, também a nossa foi dotada de um espaço nas traseiras, coberto e pavimentado, que para além das casas de banho servia de recreio, sobretudo quando chovia. Chamavamos-lhe o "cimento". Talvez fosse o único sítio do género que nessa altura podíamos pisar.

Pois bem, era exactamente aí que nós fazíamos as nossas brincadeiras sempre que o tempo não permitia utilizar o exterior. E, quando aqui passei, nesse dia de um qualquer fim de semana, deparei com aquela zona que um raio de sol teimava em iluminar e, fiz o retrato, porque, então, me vi a jogar o trinca-cevada exactamente nessa zona.

 

sinto-me:
publicado por riolivre às 23:10
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3 comentários:
De ÁguasFrias a 16 de Maio de 2008 às 22:29
Conhecendo muitos edifícios de "Escolas Primárias" e alguns muito parecidos, já que, como referes, se integram nos Planos Centenários do Estado Novo, o que nunca encontrei foi um edifício como o da Cantina Escolar, com aquele arco em granito. Mas o que mais me admirou foi a denominação de "cimento" que Vocês deram ao espaço coberto das traseiras da escola.
Esta tua descrição, de certo que "cimentou" muitas recordações de todos os que por lá passaram.
Um bom fim-de-semana e um grande abraço
Mário Silva
De hpserra a 20 de Maio de 2008 às 13:26
Pois é amigo Celestino, estava a ler o texto que acompanha a foto e a lembrar-me de minha Instrução Primária, começada em Outubro de 1965 e acabada em Junho de 1969, na Lapa, o tal Edifício que já foi Escola Ind. Com., Escola Primária, Magistério, Polo Universitário, agora, é um armazém da Câmara.
De Tupamaro a 21 de Maio de 2008 às 00:14
"Armazém" pressupõe «arrumação».

Nem quisemos acreditar quando ouvimos que era «ENTULHO»!

Deve ser mesmo mentira!
Será, Sr. hpserra?!

Tupamaro

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