Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2007

MONFORTE DE RIO LIVRE

 

 

 

Os Celtas andaram por aqui. Outros, antes deles, terão pisado este solo. Daqueles, contudo, sabemos que por cá se estabeleceram e aqui terão deixado a sua marca, num castro de que, naturalmente, se desconhece a verdadeira localização. Optimista como sou, ainda tenho a secreta esperança de, um dia, ver algum ou alguns arqueólogos "perderem algum tempo na procura das verdadeiras origens deste local. A verdade é que também os mouros e os romanos por aqui andaram, o que, de algum modo, nos dá uma ideia, mesmo que ténue, da importância que, afinal, estas terras sempre tiveram.

Aqui existiu, portanto, uma fortaleza que, no decurso das guerras entre portugueses e leoneses acbou por ser arrasada. Contudo, a importância estratégica de Monforte - note-se a sua localização muito próxima da fronteira com Castela e com o, na altura inimigo castelo de Monterrei -levou o nosso rei D. AfonsoIII a mandar proceder à reconstrução da fortaleza e, como se isso não bastasse, a 4 de Setembro de 1873 assinou aquele que seria o primeiro  Foral a Monforte de Rio LIvre. Em 1 de Junho de 1512, D. Manuel I conferiu-lhe um novo foral, cuja assinatura se verificou na cidade de Santarém. Mas foi o filho do Bolonhês, D. Dinis, quem mandou proceder ao restauro final do castelo. Vale a pena dizer que também sofreu obras de restauro ou de beneficiação nos reinados de D. Fernando, D. João I e D. Manuel I.

A título de curiosidade,merece referência este parágrafo de um artigo que o Padre João Vaz de Amorim escreveu para a Revista de Guimarães: "Entre os magnates e homens ilustres que, em tempos afastados, visitaram esta praça de armas de Monforte, contam-se, além de outros, D. Nuno Álvares Pereira, em 1385, e antes (em 1304, a 8 de Junho) D. Martinho, arcebispo de Braga, conforma consta de um documento deste prelado, por ele datado e assinado naquela vila."

A importância militar de Monforte de Rio LIvre deu-lhe o privilégio de manter um alcaide-mor até meados do século XVIII, época em que, de facto, entrou em declínio, perdendo ao mesmo tempo o prestígio militar que lhe havia sido outorgado e o poder civil que, entretanto, entrara em decadência. E se em 1863 ainda mantinha um governador do Castelo, a sede do município já havia sido transferida em 1836 para Lebução. É que foi exactamente nesse ano que Passos Manuel procedeu à sua reforma administrativa, acabando com muitos concelhos e criando outros - Valpaços, por exemplo -, sendo que essa reforma teve o seu epílogo em 31 de Dezembro de 1853, data em que, como aconteceu com tantos outros, o concelho de Monforte de Rio Livre foi, definitivamente, extinto.

Este primeiro post pretende somente definir o espaço geográfico onde, preferentemente, me situarei. Voltarei, a este e a outros assuntos.

 PS: Esta fotografia faz parte da capa do livro "A Minha Aldeia desde o princípio do século XIX", escrito e editado em 1935 por António Luís Claro, professor do ensino primário natural da aldeia e que aí desenvolveu a sua profissão de professor e agricultor.

 

 

 

publicado por riolivre às 16:15
link do post | comentar | favorito
|
4 comentários:
De Tupamaro a 14 de Março de 2007 às 21:07
Foto - documento muito importante.
Texto a preceito e a sublinhar o real interesse histórico - cultural de Monforte e toda a Região.
Por mim, agradeço-lhe este trabalho, em particular, e a feitura do Blog, em geral.
Tupamaro
De riolivre a 15 de Março de 2007 às 16:11
Caro Tupamaro,
Grato pela visita e pelo comentário.
A ideia é mesmo chamar a atenção para as muitas coisas boas que, afinal, ainda temos cá pelo cada vez mais esquecido interior.
Lamentável é que não tenhamos o mesmo tratamento que a Madeira do Jardim.
Um abraço de amizade.
Celestino Chaves
De Tânia Oliveira a 15 de Março de 2007 às 20:00
Felicito-o pela iniciativa!!!
Parabéns e bom trabalho!
De mt a 17 de Março de 2007 às 07:00
coando se começa uma coisa começasse bem

Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Março 2016

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. TEMOS UMA ESCRITORA

. NATAL 2015

. POR TERRAS DE MONFORTE

. O CASTELO, SEMPRE!

. O CASTELO FOTOGRAFADO PEL...

. XXIII ENCONTRO DE BLOGUES...

. JÁ NÃO HÁ ENTRUDO

. ...

. APONTAMENTO

. XXII ENCONTRO DE FOTÓGRAF...

.arquivos

. Março 2016

. Dezembro 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Maio 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Agosto 2013

. Junho 2013

. Março 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Novembro 2011

. Julho 2011

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Outubro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Março 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

.tags

. todas as tags

.links

.on line

online

.rádio

blogs SAPO

.subscrever feeds