Sexta-feira, 27 de Julho de 2007

ÁGUAS FRIAS - Duas Efemérides

 

Ora aqui está um espaço que, como tantos outros, nem sempre foi assim. De facto, este largo que há vários anos configura o parque de estacionamento para quem pretende dirigir-se ao centro da aldeia, não era exactamente como a figura o deixa ver e nem sequer, há vários anos a esta parte, alguém se lembraria de que assim pudesse vir a ser.

Pois a verdade é que, não sei exactamente em que semana, mês ou dia, mas, creio que sem me falhar a memória, fará este verão cinquenta anos que uma terraplanadora aqui entrou e, como se de magia se tratasse, transformou o espaço onde durante muitos anos foram enterrados os nossos mortos num largo de terra batida que, depois do 25 de Abril, a autarquia flaviense acabou por cimentar, dando-lhe o aspecto que ainda hoje mantém.

Já se vê, então, por que é que lhe chamamos Largo do Cemitério Velho.

É claro que quando se deu este evento, no verão de 1957, já aqui não se enterrava ninguém há vários anos. O actual cemitério, no Rossio, já vinha sendo utilizado há muito tempo. Acresce que, antes mesmo do cemitério velho, os enterros foram feitos, como noutras localidades, na Igreja, facto que, aliás, se pôde comprovar nas obras que o padre Adalberto Paiva mandou fazer no templo, creio que ainda nessa década de cinquenta do século passado.

 

 

Corria então esse verão de 1957 quando a aldeia acordou um dia em alvoroço.

Maquinaria nunca vista acabava de invadir a estrada que passava na aldeia. E gente, muita gente, a que se juntaram alguns rapazes da terra, que isso de poder ganhar uns tostões não era de desperdiçar. O que aconteceu, então?

Pois, nada mais do que o progresso que, finalmente, começava, ainda que mujito lentamente, a bater-nos à porta. Com efeito, a estrada macadamizada onde se faziam as festas (junto ao Cheris), onde andávamos de bicicleta (à vez, porque nem todos a tinham!), onde a carreira parava para levar e trazer quem viajava e, todos os dias o saco do correio (que saudades da Tia Leonor, a Cega, que levava as cartas a toda a gente), pela mão de uma mole imensa de operários que torravam com o sol e com o auxílio dessa máquinas que vomitavam pez, essa estrada anteriormente macadamizada, passou a ter alcatrão, foi, finalmente, asfaltada.

Os carros passaram a circular com mais segurança e, naturalmente, com maior velocidade. Digamos que a viagem a Chaves ficou, a partir daí, ligeiramente mais curta,

Ah! mas aqueles que a faziam a pé (palmilhei esses doze quilómetros muitas vezes) também terão beneficiado por gastarem menos o calçado.

publicado por riolivre às 23:58
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Domingo, 22 de Julho de 2007

O Tear da tia Inocência

 

Numa época em que tanto se fala de globalização, energias alternativas, aproveitamento de recursos e quejandos, não é que dei com esta prenda no fundo de uma gaveta?

Pois é, a verdade é que quando deparei com a tia Inocência em plena laboração no seu tear, na sua casa da Lampaça, provavelmente enquanto o Ti Zé Justina tratava do quintal, não hesitei em trazê-la até aqui.

De facto, se recuarmos no tempo - e esta fotografia já tem mais de trinta anos - podemos observar como, quando ainda não se falava em reciclagem, já em Águas Frias (como noutros locais, evidentemente) se teciam os mantões a partir de farrapos velhos que as mulheres iam juntando em casa. Com uma diferença: os mantões eram, na maior parte dos casos, mandados tecer com a finalidade de aquecer os corpos das pessoas enquanto dormiam (onde estavam os edredons?) e hoje, regalam-se as herceiras que os têm para atapetar as suas casas. Como os tempos mudam...

Mas a tia Inocência também produzia cobertores e colchas de linho. Ah! durante muitos anos, o linho foi cultivado intensamente na aldeia. Ainda me lembro de algumas mulheres, era eu um garoteco, estarem a espadaná-lo (creio que se diziz assim) no largo de Cimo de Vila. E o que ficou disso? Exactamente o topónimo "linhar", isto é, os prédios rústicos onde se fazia a cultura do linho. E quase toda a gente tem o seu "linhar" onde, em vez do linho de outrora, cultivam o que de melhor dá a terra, o chamado "renovo" (os hortículas) e as preciosas batatas que, em tempos, foram o sustento das nossas gentes.

Bom, o tear da tia Inocência presumo que ainda estará lá na casa que deixou aos seus filhos. Estou convencido que o Felizberto e o Alfredo não se desfizeram dele. Seria óptimo que o mantivessem porque ainda não perdi a esperança de criar um pequeno museu rural que possa dar vida aos utensílios que foram objectos de trabalho dos nossos antepassados e, naturalmente, o tear da tia Inocência é uma peça fundamental desse rico património. A seu tempo estarei com eles para lhes fazer o pedido que, estou certo, irão considerar.

Deu-me um prazer enorme recordar essa senhora que, tendo-nos deixado há uns anos, se mantém bem presente no meu coração.

publicado por riolivre às 23:24
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Sexta-feira, 6 de Julho de 2007

Águas Frias ficou mais pobre

Não é meu hábito deixar passar tão pouco tempo para deixar mais um post.

Contudo, hoje não podia deixar de trazer aqui uma notícia que recebi logo pela manhã e que me deixou muito triste.

Passados pouco mais de dois meses sobre a comemoração do centésimo sexto aniversário, Águas Frias despediu-se do seu decano.

O Ti António Laurindo partiu para sempre. Partiu, certamente, com a tranquilidade de quem deixa um grande legado de trabalho, seriedade, lhaneza à filha, aos netos, aos bisnetos e ao trineto. Familiares e amigos vamos, com certeza, sentir este vazio por algum tempo, mas todos honraremos a sua memória.

PAZ Á SUA ALMA.

sinto-me: Triste
publicado por riolivre às 23:49
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