Sábado, 9 de Janeiro de 2010

Água Frias - Lampaça

 

Abordar aqui o Bairro da Lampaça, deixem-me confessar-vos, é para mim uma dor de alma. Contudo, já há muito tempo, talvez um ano ou mais, que por aí deambulei, procurando obter alguns documentos fotográficos que pudessem levar, sobretudo aos que estão lohge e há mais tempo sem visitar a aldeia e, mais ainda, àqueles que aí nasceram, o verdadeiro estado de um pequeno bairro da nossa aldeia que, outrora, acolheu uma população impensável nos dias de hoje.

 

 

Ora, descendo a rua que dá acesso ao bairro, exactamente a Rua da Lampaça, depois de três casas que, embora com bastantes anos de edificação se podem considerar recentes, e logo a seguir à que foi uma das mais bonitas que a aldeia teve (foi reconstruída pelo Felizberto, que a habita) encontramos aquela que, no sentido descendente, seria a segunda casa do bairro.

É com evidente nostalgia que, quando por aqui passo, e faço-o menos vezes do que gostaria, olho a casa onde nasci e onde nasceram e foram criados os meus avós maternos bem como os oito filhos que deitaram ao mundo e sobreviveram. E é doloroso ver como a casa de um dos grandes lavradores da terra, no seu tempo, se transformou, rapidamente, num amontoado de pedras. Não foram algumas intransigências e, seguramente, estaria restaurada e, quanto mais não fosse nas férias, habitada. Mas essa é outra conversa.

 

 

Basta descer mais alguns, poucos, metros, e deparamos com mais uma pequena casa em ruinas. É contígua à dos meus avós. O meu tio Fredo e a minha tia Clotilde viveram aqui uma boa parte da sua vida e aqui tiveram e criaram os três filhos. Só mais tarde, construída a nova casa a abandonaram. Não sei se passou pelas mãos de mais alguém, mas lembro que um dos proprietários seguintes foi o Nuno. Depois. bem... depois, acabou no estado que se pode ver.

 

 

 

No chamado largo da Lampaça o ambiente não é diferente. Esta é a casa que foi da família de Francisco (O Feluje) e Clotide Oliveira. Também neste espaço, não muito grande, criaram a sua imensa prole de mais de dez filhos que, vivendo humildemente e comendo o pão que o diabo amassou, lutaram pela vida, uns por cá, outros pelo Brasil e, a pulso, mostram como se pode transformar a vida penosa da infância e da juventude numa vida de bem estar. Honra lhes seja feita.

Aqui mesmo ao lado, na entrada para uma outra casa de que também já só há ruinas, durante as horas da sesta, muitas vezes depois de um banho na poça dos Intilhais, juntávamos um enorme grupo de rapazes que, quase diariamente, se divertia a jogar as "formas". Quem não gostava muito eram as nossas mães. É que os botões de roupa que apanhássemos à mão de semear estavam naturalmente destinados a ir a jogo.

 

Voltarei à Lampaça para mais uma incursão neste interessante bairo da nossa aldeia que, salva muito poucas excepções, apresenta o estado que podeis constatar.

 

Até breve.

 

 

 

publicado por riolivre às 23:06
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6 comentários:
De joão antônio da cunha a 26 de Janeiro de 2010 às 13:54
Olá,

Outro dia pesquisando na internet sobre Águas Frias e Assureiras, vim encontrar este blog que, diga-se de passagem, muito me surpreendeu pelo amor e respeito que todos os blogueiros curtem e tratam a terra onde nasceram e, ainda, pela enorme variedade de temas sobre os quais escrevem e discutem.
Sou uma pessoa que gosta de história e de sociologia e muito ligado às raízes familiares. Tenho cidadania portuguesa e por conta disso já estive em Portugal diversas vezes. Meu avô nasceu em Assureiras, foi batizado na Igreja de São Pedro D’Águas Frias e emigrou para o Brasil com cerca de 21 anos, isso por volta de 1890. Chamava-se João Evangelista, sendo seus pais João Evangelista Caetano e Maria Thereza Moraes. Ainda pequenino ficou órfão de pai. Quando emigrou para o Brasil ai deixou a mãe e uma irmã (Joaquina Thereza, casada com José David). Em seguida a ele vieram para o Brasil um outro irmão e os sobrinhos, filhos dessa irmã que ai deixou. Se, porventura, houver algum descendente ou parente dessas pessoas (famílias Caetano, Moraes e David) eu ficaria muito feliz em manter contato. Embora de ligações familiares um pouco distante somos pessoas que vêm da mesma cepa, com o mesmo DNA sanguíneo, e seria um grande prazer conhecê-las.
Um abraço.
João Antônio da Cunha
De riolivre a 26 de Janeiro de 2010 às 16:08
Meu caro João António,

Quando alguém comenta, seja a que pretexto for, aquilo que, de vez em quando, vou colocando neste espaço virtual sobre a aldeia onde nasci, sinto um prazer redobrado. Em primeiro lugar, pelo facto de alguém se ter lembrado de dar uma vista de olhos por algo que até pode nem lhe dizer grande coisa. Em segundo lugar, exactamente porque é a partir deste feedback que eu vou ganhando alento para menter este espaço dom a regularidade possível.
Estou, portanto, grato ao meu amigo (permita-me este tratamento) por fazer parte dos visitantes deste blog e, já agora, pela ajuda que dá na sua divulgação junto da comunidade oriunda destas terras e que, há tantos anos, se viram obrigados a partir para tão longe na procura de melhor vida.
Mas tasmbém estou encantado por poder vir a ser-lhe útil na eventual descoberta de algum familiar que ainda resida nas Assureiras. Mas, como eu não resido na aldeia, vai dar-me algum tempo para eu poder pesquisar. Creia que, mal tenha algum dado relevante, lhe farei chegar a notícia. Sendo as Assureiras um lugar da freguesia de Águas Frias e tendo aí uma parte da minha família, terei alguma facilidade em procurar algo que se relacione com o seu ADN.
Disponha sempre.
Um abraço de amizade.
Celestino Chaves
De joão antonio da cunha a 8 de Julho de 2010 às 16:30
Meu caro Celestino,
É com satisfação que estou hoje 8 de julho, Dia da Cidade, em visita a Chaves. Seria bom poder encontrá-lo pessoalmente para agradecer a sua boa vontade em pesquisar sobre a minha família.
abraços
João A. da Cunha
De riolivre a 8 de Julho de 2010 às 16:39
Meu caro João!

Eu resido em Valpaços. Vou de vez em quando a Águas Frias. Não sei por quanto tempo vai estar em Chaves, mas no próximo sábado etarei o dia todo no Castelo de MOnforte. Se quiser passar por lá terei muito gosto em conhecê-lo e conversaremos um pouco.
Abraço
Celestino Chaves
De joão antonio da cunha a 12 de Julho de 2010 às 15:41
Meu caro Celestino,
Já tinha programado de estar no sábado na região de Pombal e infelizmente não deu pra ficar e podermos nos conhecer pessoalmente, entretanto, creio firmente que no futuro terei esta oportunidade. Obrigado e,
Um grande abraço.
João A. da Cunha
De lampaca a 10 de Novembro de 2010 às 04:52
As suas fotos levam-me para o Portugal profundo, enchem a vista. Fazem-me lembrar Miguel Unamuno em (Por terras de Espanha e Portugal) sociólogo e escritor não houve outro que nos descrevesse tão bem sem deixar de nos amar. Apetecia-me vagar sobre isso, mas não vou faze-lo. Como sou mais um amante de leituras que fotos. Se me permitisse gostaria de fazer uma correcção ao texto do blog ou post , nem sei muito bem como lhe chamar. " Àguas Frias - Lampaça " se não estou em erro. quando diz (...salva muito poucas excepções, apresenta o estado que podeis constatar). Queria dizer (=>>salvo muito poucas...
neste caso não é adj. mas sim preposição significando "excepto, fora, a não ser
Entre outras sugestões:
Quem não gostava muito eram as nossas mães. É que os botões de roupa que apahássemos à mão de semear estavam naturalmente destinados a ir a jogo". Acho que ficaria melhor (Quem não...mães. É que os botões de roupa esquecidos e, à mão de semear, naturalmente, estavam destinados ao jogo).
Temos três probabilidades juntas:
apanhássemos (=> indica probabilideade
naturalmente (=> probabilidade
ir a (=> probabilidade
Acho que assim dá mais ideia de um acto feito/certeza e não de uma probabilidade.

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