Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Águas Frias - Gente

O título que dei ao post deixa a ideia de que na aldeia, apesar de tudo, ainda há gente. De facto, ela pode estar moribunda, mas, a verdade é que, embora não sejam muitas, podemos aí encontrar algumas das pessoas que ainda resistem, mantendo-se fiéis ao torrão que os viu nascer e onde sempre labutaram e labutam até que possam.

 

Pois bem, sempre que tenho oportunidade de ir a Águas Frias, para além da imensa nostalgia que naturalmente me toma, sinto, paradoxalmente, um misto de alegria e tristeza. A alegria de ver as pessoas com quem me vou cruzando e a imensa tristeza que advem do facto de ver cada vez menos gente e, sobretudo, cada vez mais velhos. Valha-nos que começa a haver quem, a pretexto de passar as férias ou um mero fim de semana, já vai procedendo à recuperação de algumas casas preservando o importante património habitacional e dando alegria à aldeia qundo aí se deslocam.

 

De entre as pessoas que habitualmente procuro ver quando por lá passo deixem-me destacar uma que, lá da sua galeria, se mantem atenta a quem surje no seu horizonte visual. E com que alegria levanta o braço para cumprimentar ou mesmo para chamar quem se aproxima para lhe dirigir a palavra. A mim, que, antes de descer a rua que me leva a casa dos meus velhotes, nunca deixo de espreitar (diria, de me mostrar) para a sua janela dá-me um prazer imenso ver o seu sorriso aberto e saber que tenho ali uma grande amiga. E, sempre que vou ao "Parente" tomar um café, não me sinto bem se não arranjo um tempinho para a ir cumprimentar nesse pequeno espaço da sua casa onde se vai isolando do mundo, também e cada vez mais pequeno que a rodeia.

 

Já toda a gente deve ter percebido que estou a falar de uma mulher que, durante uma vida inteira, com o marido e o filho mais velho emigrados para o Brasil, teve a coragem de enfrentar a vida, primeiro com a filha, depois sozinha e, finalmente, de novo com a filha, ora na labuta da terra, como os vizinhos, ora atendendo os clientes na taberna que tantas histórias encerra.

 

Ora, aqui há tempos, pedi-lhe que se deslocasse até à varanda da casa que outrora foi dos Claros e que ela adquiriu com as suas economias. A Dete, que agora assume o ónus de tratar da sua progenitora - e com  que pundonor o vai fazendo - lá a conseguiu levar até aí. Eu já estava a postos e, quando a Tia Adélia assomou e se encostou ao balaústre, foi só disparar. O resultado foi o que se segue:

 

 

Esta era a homenagem, singela, que eu devia a essa grande mulher, que do alto dos seus oitenta e muitos anos, continuando a lutar pela vida que lhe vai querendo fugir, mantem aquele sorriso que sempre a caracterizou e com que sempre nos recebeu. É também uma homenagem à Dete, amiga de infância, pelo denodo com que continua a cuidar da sua própria mãe. É, finalmente, a homenagem ao Fernando que, inesperadamente, há bem pouco tempo, me deu a imensa alegria de o ver depois de tantos anos e de lhe lembrar que nunca esqueci aquela fisga que um dia me fez. Só não sei se serviu para deitar abaixo algum melro naquelas sestas que passávamos debaixo da moreira dos Intilhais.

 

 

publicado por riolivre às 17:58
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6 comentários:
De ÁguasFrias a 26 de Maio de 2009 às 19:41
Amigo Celestino.
Concordo plenamente com o preambulo do post e mais ainda com a merecida homenagem à Pessoa que está e ficará sempre ligada à memória de Águas Frias - A Tia Adélia.
Um abraço
De riolivre a 27 de Maio de 2009 às 17:12
Meu caro Mário,

Este ainda vai sendo o mais habitual meio de comunicação que vamos mantendo entre oa encontros e desencontros que, pontualmente, vamos tendo na aldeia.
E aproveitei aqui a minha janela para te dizer que, desde há bastante tempo, me é muito difícil, às vezes mesmo impossível, aceder ao teu blog. Até já o próprio antivirus me deixou estupfacto quando, numa das muitas tentativas para te visitar, me informou de que estava perante uma página não recomendável.
De facto, na maior parte dos casos, não consigo abrir o blog. Já experimentei noutros computadores e a situação repete-se. Auando tenho a sorte de entrar é depois de uns largos minutos de espera e, ainda assim, com grande dificuldade de o percorrer.
Será que tu entras sempre bem nele? Ou tecnicamente haverá algo que não permite aceder-lhe em condições? Vê se consegues dar-me uma ajuda.
Um abraço.
Tino
De Tupamaro a 30 de Maio de 2009 às 09:41
Os dias nasceram pequenos para os ambiciosos e...para alguns mimalhos.

Já no Antigo Testamento vem a malandrice dum tal Josué que, para açambarcar mais os prazeres das vitórias, encosta a espada ao peito do seu Deus e obriga-o a esticar o dia.
E assim foi criado o Fim-de-Semana.

Mas o Pobinho nem se dá conta da largura desse dia - trabalha, faz horas ordinárias e extraordinárias; faz ordinarices; entretém-se com crendices; enfim, anda muito distraído.

Mas ainda há por aí alguns com algum TINO que aproveitam estes dias assim «Mais Grandes» ,(como quem diz, Fm-de-semana, dia com 48 horas!) para Fazer Anos.

São finos! E até moram perto do regaço de quem os pode embrulhar e derreter com MIMInhos!
Sabem-na toda!
PARABÉNS!


Um Abraço

do

Tupamaro
De riolivre a 31 de Maio de 2009 às 19:27
É bom saber que os amigos estão connosco, mesmo em circunstâncias mais ou menos inesperadas.
Muito obrigado, meu caro amigo Luís, por se ter lembrado deste modesto cidadão que, apesar de tudo, continua a labutar e a lutar no seio das suas gentes.
Mas, como a vida é de luta, o meu dia de anos foi, efectivamente, passado em peleja, lá nessa longínqua Lisboa, nesse reino da moirama onde tive de me deslocar para, solidariamente, dizer não a quem nos quer colocar as algemas que tanto nos custaram a quebrar. Outras guerras...
E como não estamos frente a frente, ficará para a primeira oportunidade o reconhecimento pelo abraço que me endereçou e que, como ben saberá, me deixou muito sensibilizado.
Aqui fica, também, um grande abraço para o meu excelentíssimo amigo das guerrilhas urbanas e não só.
Celestino Chaves
De ÁguasFrias a 30 de Maio de 2009 às 16:27
Caro Amigo celestino:

Os nossos cinceros PARABÉNS, por mais este teu aniversário.

Um dia FELIZ, e nos longos anos que virão, cá estarei para os renovar.

UM ABRAÇO SINCERO DE PARABÉNS

Mário Silva
Candida
Ana
De riolivre a 31 de Maio de 2009 às 19:33
Estou naturalmente muito grato a essa trio valbonense que fez o favor de se lembrar que eu estava a ficar um pouco mais velho. E fiquei muito satisfeito por ser a partir desta modesta tribuna que decidistes dar-me os parabens.
Só agora me dou por achado uma vez que, ao contrário do que seria de esperar, passei o dia em que cumpria mais um aniversário na capital, debaixo de um sol verdadeiramente escaldante, invetivando o (des)governo que tão mal insiste em tratar-nos. Foi diferente mas foi entusiasmante.
Um grande abraço para vocês
Tino

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